Beatriz Juncklaus
Tubarão
975 gramas. Esse foi o peso que a Paola pesava quando nasceu no dia 28 de setembro deste ano.
Ela e a irmã gêmea, Lavínia, nasceram de 33 semanas e foram consideradas prematuras. O nascimento das duas teve que ser antecipado por conta da Síndrome da Transfusão Feto-Fetal, que ocorre quando um dos bebês recebe menos sangue do que o outro, prejudicando o desenvolvimento de um dos fetos. A Lavínia precisou ficar na UTI neonatal por apenas 11 dias, enquanto a Paola, o bebê que recebia menos sangue durante a gestação, ainda está internada.
Casos de prematuros não são raros. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), por ano, 15 milhões de bebês nascem, no mundo, antes do tempo. Em Tubarão a realidade não é diferente. “De todos os bebês que nascem aqui no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), 12% são considerados prematuros. Este índice também é registrado no Brasil”, relata a médica neonatologista Aline Zilli Hadrich, coordenadora médica da UTI neonatal do HNSC.
São diversas as causas que podem levar um bebê a nascer prematuramente. Pressão alta da mãe (conhecida como pré-eclâmpsia), diabetes materna, sofrimento fetal e infecção materna são algumas delas. Para prevenir esses problemas é importante o acompanhamento médico durante toda a gravidez. “As mães devem estar atentas à alimentação saudável, ao peso e a qualquer outro problema de saúde. É necessário estar sempre com os exames em dia para que os riscos sejam diminuídos”, alerta a médica neonatologista.
Seminário
Evento promove palestras e troca de experiência
Para comemorar o Novembro Roxo, o HNSC está promovendo o 1º Seminário de Prematuridade. O evento ocorre no próximo dia 16, no Salão Nobre do hospital, a partir das 7h45. No encontro, além de palestras e troca de experiências, o hospital pretende reunir os bebês neonatos. O evento é aberto para toda a comunidade e a inscrição deve ser feita pelo site www.hnsc.org.br, no link ‘inscrição’.
Prematuros nascem com menos de 37 semanas
A campanha mundial visa sensibilizar a população sobre o assunto. Os dados da pesquisa ‘Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre parto e nascimento’ mostram que a taxa de prematuridade brasileira (11,5%) é quase duas vezes superior à observada nos países europeus. Os bebês que nascem com menos de 37 semanas de gestação são considerados prematuros. A data mundial da conscientização é no próximo dia 17.
Preocupação dos pais com os pequenos
De acordo com a enfermeira especialista em neonatologia, Maria Aparecida Goulart da Silva, os pais ficam muito preocupados depois que os bebês nascem, pois, como são prematuros, podem vir a ter alguma complicação de saúde, como imunidade baixa, doenças pulmonares e até atraso no desenvolvimento intelectual. Ela conta que, enquanto os pequenos estão na UTI, os responsáveis pelo setor fazem todo o possível para garantir a vida futura dos bebês. “Nós queremos que eles saiam daqui com saúde e um futuro. Por isso nos empenhamos não apenas na ‘saúde do agora’, mas, sim, para toda a vida deles”, diz.
A mãe das gêmeas, Diana da Silva Oliveira, conta que já sabia que as filhas teriam que nascer antes do tempo, pois dividiam a mesma placenta, mas que na hora do parto ficou com muito medo. “Eu não ouvi o choro da Paola e pensei que tivesse acontecido alguma coisa. Ela era muito pequena e frágil, mas logo em seguida já foi atendida e hoje está melhorando muito. Está quase pesando 1.600 kg”, conta. Cada grama que ela ganha aumenta a esperança dos pais e também da equipe médica.

